sábado, 25 de outubro de 2008

Uma pétala ao vento...

.....Crônica

A primavera acontece diante de nossos olhos e eu queria poder falar das rosas...
Talvez até das rosas brancas, que como um buquê, seria levado pelas mãos de uma criança, e oferecidas aos atletas da Seleção Brasileira de Futsal, como reconhecimento pela conquista do campeonato mundial.
Mas não deu!!! E não deu porque - em que pese todo brilho de Falcão e Cia. - não temos o que comemorar! Isso porque, cada vez mais, nos transformamos, nos degradamos, nos desumanizamos, e assim como as rosas, vamos perdendo a beleza, o perfume e o encantamento...
Assim como caules envelhecidos que nada mais tem a oferecer - mas que ainda mantém seus afiados espinhos...
Assim como esta crônica, carregada de tristeza, pesar e desapontamento. Carregada de feridas e lágrimas, de dor e de luto, assim como a família da menina Eloá, cuja morte covarde e brutal é apenas mais uma das tantas fraturas expostas do nosso falido esqueleto social, num caso deplorável e inusitado, provavelmente o único no mundo em que um refém, já solto, foi devolvido a seu raptor...
Isso por que as polícias, teoricamente corporações a serviço da manutenção da ordem e do estado de direito, subdivididas pelo estado de calamidade pública a que vivem submetidas pela incompetência – ou pela esmerada competência destrutiva - dos governantes que escolhemos, estavam por demais ocupadas com a nobilíssima missão de guerrear entre si, espremendo em público o pus de suas próprias feridas, enojando a todos com um deprimente espetáculo de auto-desmoralização...
Mas o que mais dói, o que mais machuca, o que desencanta e desalenta, é saber que tudo isso - assim como o caso Isabela Nardoni e tantos outros – passará como uma pétala levada pelo vento, enquanto a vida voltará a sua absurda normalidade...
Porque hoje em dia, tudo, até mesmo a violência já é parte da normalidade...
Porque hoje em dia, anormal é lágrima que cai pela emoção mal contida, é a palavra que escapa de lábios guiados por corações idealistas, ainda sonhadores...
Porque hoje em dia, anormal é acreditar nessa réstia de esperança revivida na coragem daqueles que ainda não perderam a capacidade de se indignar, e de jamais se recolher ao conveniente refúgio do silêncio...
Porque hoje em dia, só há primaveras no jardim da impunidade...