(Música Vice-Campeã do Festival da Canção Brasileira - Quipapá PE - maio/2006)
Vai, meu coração
Vai navegar
Vai onde o céu abraça o mar
E a noite amiga abriga um sol que ainda virá
Traz a luz nascente do luar
E um sonho azul prá acalentar
A paz de quem prepara alguém que vai chegar
Dentre as ondas quentes, coração
O ventre, abrigo da paixão
Carrega a flor de um grande amor ainda em botão
Vai
Que a vida chega numa embarcação
Aporta e passa como uma canção
Que é bela e breve, mas não tem bis
Vai
Vai contra o tempo e os temporais
Qual timoneiro que entre vendavais
Descobre o encanto de ser aprendiz
Vai
Que eu iço as velas prá te acompanhar
Qual navegante que só quer singrar
O mar da vida
E ser feliz
sábado, 20 de setembro de 2008
Certidão de renascimento
..... Crônica
Há dias feitos de profunda apatia, em que não se consegue sentir nada, nem mesmo a incômoda presença do vazio. Dias que a gente nem sabe se viveu...
Então escrevo...
Pra não sucumbir. Pra não morrer aos pouquinhos...
Pra sentir que lá no fundo, mesmo no mais distante subúrbio do coração, existe um resto de alguma coisa que teima em sobreviver. Assim, feito fogo de monturo, feito dia seguinte de fogueira...
Feito uma fumaçazinha teimosa, que volta e meia retorna, cresce, e de vez em quando revive instantes de incêndio, de labareda, transformando a alma numa grande e festiva noite de São João...
Escrevo para quebrar a inércia, para transpor o silêncio, para seguir acreditando que ainda existo, que sobrevivi ao massacre dos números, à selvageria do mercado, à desenfreada corrida de cada dia...
Escrevo pra me penitenciar de tantas coisas que não me permiti, pra me redimir de certos pecados que não ousei cometer...
Escrevo para aliviar o peso de remorsos camuflados, para aplacar os reclames da alma silenciada, para tirar o mofo dos sonhos escondidos na gaveta do talvez depois, no armário do quem sabe um dia...
Escrevo o que lava a alma, o que me dá na cabeça, o que me salta aos olhos, o que não cabe no peito, o que transborda do coração...
Escrevo como quem transpira, para eliminar as toxinas do espírito e manter a forma para continuar a jornada...
Transcrevo a mim mesmo nas coisas que crio e me recrio nas coisas que faço, como se cada música, letra, crônica, poema ou frase fossem cacos da minha própria existência, fossem retalhos da minha autobiografia, como pedras de um quebra-cabeça que só o tempo é capaz de montar...
A palavra é minha impressão digital, meu certificado de autenticidade, minha certidão de renascimento...
Escrever me mantém vivo...
Me faz reconquistar a chance de, de vez em quando, casualmente, me reencontrar comigo...
Há dias feitos de profunda apatia, em que não se consegue sentir nada, nem mesmo a incômoda presença do vazio. Dias que a gente nem sabe se viveu...
Então escrevo...
Pra não sucumbir. Pra não morrer aos pouquinhos...
Pra sentir que lá no fundo, mesmo no mais distante subúrbio do coração, existe um resto de alguma coisa que teima em sobreviver. Assim, feito fogo de monturo, feito dia seguinte de fogueira...
Feito uma fumaçazinha teimosa, que volta e meia retorna, cresce, e de vez em quando revive instantes de incêndio, de labareda, transformando a alma numa grande e festiva noite de São João...
Escrevo para quebrar a inércia, para transpor o silêncio, para seguir acreditando que ainda existo, que sobrevivi ao massacre dos números, à selvageria do mercado, à desenfreada corrida de cada dia...
Escrevo pra me penitenciar de tantas coisas que não me permiti, pra me redimir de certos pecados que não ousei cometer...
Escrevo para aliviar o peso de remorsos camuflados, para aplacar os reclames da alma silenciada, para tirar o mofo dos sonhos escondidos na gaveta do talvez depois, no armário do quem sabe um dia...
Escrevo o que lava a alma, o que me dá na cabeça, o que me salta aos olhos, o que não cabe no peito, o que transborda do coração...
Escrevo como quem transpira, para eliminar as toxinas do espírito e manter a forma para continuar a jornada...
Transcrevo a mim mesmo nas coisas que crio e me recrio nas coisas que faço, como se cada música, letra, crônica, poema ou frase fossem cacos da minha própria existência, fossem retalhos da minha autobiografia, como pedras de um quebra-cabeça que só o tempo é capaz de montar...
A palavra é minha impressão digital, meu certificado de autenticidade, minha certidão de renascimento...
Escrever me mantém vivo...
Me faz reconquistar a chance de, de vez em quando, casualmente, me reencontrar comigo...
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